sábado, 5 de setembro de 2009

carne de sol e natal

Visitei Natal, a Ponta Negra, tão luminosa, tão calma. Há nomes que não se justificam: Ponta Negra. Fico pensando se um dia, por alguma razão, essa ponta foi tenebrosa, negra, de areia escura, negra de presença de escravos. Indagações. Sei lá. Sem resposta. Deixo a minha ignorância  de lado para especular.

Como vivo perto do mar, quando viajo me dou  o luxo de fazer pouco caso dos mares de outros lugares. Parece esnobismo. Mas o mar me cansa de ser tão belo. Me cansa de ser tão imenso. Me cansa de medo pois não sei nadar direito. E tenho esperança de ser uma expert das águas. Pois hoje treino Caratê para dominar os meus pés, mãos e braços em terra. E depois me  diluir nas águas. Voltando. O mar me cansa. Vento, areia da praia, amplitude. E, principalemnte, me cansa de tanta luz em uma ponta negra.

Haja óculos para os raios de sol! 
Haja pensamentos metafísicos para os dilemas que carrego. Tantas vezes os despejo nas ondas. Tantas vezes tenho o mar como conselheiro, ouvinte e amigo.

Há anos que tinha ido a Natal. Naquela época, estava tão frágil, tão menina e, hoje, após mais de dez anos, me cansei mais rápido nas andanças. Faltou perna ágil. Mas me senti  mais confortável com meu corpo e minhas escolhas de vida.

Fiquei com a ponta de tudo sem querer abarcar o mundo.
E isso deixa  a gente em paz.
Somente até a próxima tormenta.
Calmaria demais também me cansa.
Claro!

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